
Três alternativas à sua escolha:
1) - Alguns capítulos de um livro inédito com temática de aventura ficcional
O GUARDIÃO
HOLLY WALKER
AOS VERDADEIROS JARDINEIROS DA TERRA
CEDO OU TARDE, CADA UM DE NÓS CHEGARÁ AO CÉU OU AO INFERNO, CONHECENDO OU NÃO O CAMINHO; AMANDO OU ODIANDO. TUDO É UMA SIMPLES QUESTÃO DE ESCOLHA.
O Autor
1
I
Depois de pigarrear algumas vezes, o editor bateu a cinza do charuto no cinzeiro sobre a mesa lotada de papéis e falou com o homem à sua frente:
- Li seu trabalho. Há alguma chance de publicação. Sugiro que faça algumas alterações, sem risco para o enredo...
Daniel Harding tomou fôlego, remexeu-se na cadeira, correu os dedos da mão esquerda por entre a vasta cabeleira e antes que o editor continuasse, interrompeu:
- E quais seriam as alterações?
- Várias – respondeu o editor – Mas não se preocupe: será fácil para um futuro escritor com tanta habilidade no manejo das palavras. Por que não começa por estabelecer maior objetividade para a trama? No fundo, o leitor fica confuso com o misto de realismo e ficção ao longo dos capítulos. Veja por exemplo: Guerra do Golfo, discos voadores...
- Senhor editor, creia: apesar do enredo dar idéia de ficção associada a situações reais, tudo o que está escrito, tem razão de ser.
- Compreendo senhor Daniel. No entanto, há de concordar que esta editora só põe best-sellers no mercado. Não menosprezando seu esforço, é minha obrigação orientá-lo no sentido de dar ao seu livro um tom mais agressivo, enquadrando enredo e personagens num clima que provoque marcantes impressões entre os leitores.
- Um toque mais comercial, digamos?
- Aceitável, porém, nada de vulgaridades...
- Correto. Entendo aonde quer chegar. Só lamento se acontecer de minha inspiração não chegar lá...
- Não se preocupe senhor Daniel. Crie um clima ideal. Releia seu trabalho e faça as devidas correções. A base geral é boa. Falta ao conteúdo, a famosa pedra de toque. O senhor por certo saberá encontrá-la e incorporá-la ao enredo. Terei prazer em recebê-lo depois das providências adotadas.
- Senhor, esta é a décima vez que ouço isto de um editor. Não quero ser presunçoso quanto à qualidade do meu livro; não estou disposto a discutir este aspecto, mas acho que a sorte não gosta de minha companhia ou os editores andam apenas à cata de gênios da escrita.
- Não é bem assim. Já recusei publicar nomes que hoje são o máximo da literatura mundial. Não me arrependo por tê-lo feito. Minha recusa serviu para impulsioná-los a superar obstáculos que os transformaram em grandes sucessos.
- Obrigado, senhor. Tentarei seguir seu conselho. Passe bem...
O editor nada disse. Estendeu a mão direita sem tirar o charuto da boca. Um velho hábito de quem estava acostumado a lidar com celebridades e sonhadores em busca de fama. Daniel Harding saiu da sala levando seus papéis. Tomou o elevador e desceu os andares pelos quais dias antes havia subido acreditando que seu livro seria publicado entre os lançamentos da temporada. A grave expressão em seu rosto estampava um único sentimento: decepção. Na rua, tomou um táxi em direção ao centro da cidade. Desceu em frente ao “Stanley”, seu american-bar preferido. Entrou e pediu a especialidade da casa, enquanto acendia um cigarro. Antes de servir a terceira dose, o garçom estranhou:
- Hei cara, parece que o dia hoje foi difícil, hein? Levou um “fora” – suponho...
- Cara, não chateie – respondeu Daniel antes de levar o copo à boca. - Você não sabe de nada. Se não tem nada a dizer que seja melhor que o silêncio, então, cale-se!
- Hummm... Que mau humor. Mande flores e um bilhete bem educado e romântico para a garota, que as coisas se resolvem...
- Não seja estúpido, cara – retornou Daniel. - Não é nada disso. E não se intrometa. Quando precisar o conselho de mamãe, eu aviso certo?
- Certo. Não está mais aqui quem falou. Vai mais uma dose?
Enquanto o garçom servia a bebida, Daniel levou a mão esquerda ao bolso da camisa para apanhar mais um cigarro. Nisso, notou ao seu lado, uma mulher bem vestida, presumivelmente além dos trinta, com um copo de bebida no balcão. Também fumava enquanto bebia e não desviou o olhar da direção do jornalista. Estava observando o vizinho que fazia do happy-hour, um banho de doses bem além do que poderia suportar. Quando tentou apanhar o isqueiro, a peça escapou-lhe da mão e rolou sobre o balcão, parando perto do copo de bebida da mulher. Atordoado pela bebida, ele não se deu conta de estar despencando na direção dela, na tentativa de resgatar seu isqueiro. Acabou derrubando o copo de bebida e totalmente desequilibrado, tombou para a lateral, caindo com a cabeça literalmente sobre o colo da mulher, evitando maiores estragos na queda. Alguns frequentadores ajudaram, mas foi impossível levar de volta o homem ao seu assento. Quatro doses duplas foram mais que suficientes para nocauteá-lo.
Ao recobrar os sentidos, espantado, Daniel resmungou:
- Hei... Onde estou? Esta não é minha casa...
Fez menção de levantar-se. Mas não conseguiu. Levou a mão à cabeça, gemeu e virou-se sobre o travesseiro. Estava com a visão embaralhada. Não conseguiu distinguir a mobília do ambiente, mas tinha uma certeza: não estava em seu quarto. Algum tempo depois, com muito esforço, abriu os olhos e percebeu alguém se aproximando. Esfregou as pálpebras e conseguiu entrever o vulto de uma mulher ao lado da cama. Apesar da proximidade, a voz parecia vir de muito longe:
- Continue deitado e relaxando. A bebida foi mais forte do que você desta vez. Não se preocupe; logo estará em forma de novo...
Entre surpreso e assustado, Daniel sacudiu a cabeça sustentando o tronco com os cotovelos apoiados no colchão:
- Quem é você e como vim parar aqui?
- Meu nome é Madine – respondeu a mulher – Você está no meu apartamento. Dormiu a noite toda aqui. Foi difícil colocá-lo na cama depois do banho. Sem contar a faxina geral no Box, depois do vômito. Você é um bocado pesado...
O sorriso complacente da mulher passou para gargalhada quando Daniel percebeu estar nu fora dos lençóis. Rapidamente tratou de se cobrir, enquanto ela prosseguia:
- Ora, ora, deixe de infantilidade. Suas roupas estão quase prontas; só falta passar. Em instante poderá vesti-las. A propósito, qual é o seu nome?
- Duvido que já não saiba. Meus documentos estavam no bolso...
- Eu os retirei antes de pôr a roupa para lavar. Não me interessei em verificar sua identidade. Há um velho ditado: “curiosidade mata gato”...
- Desculpe; acho que exagerei. Meu nome é Daniel Harding.
- Então, senhor Daniel: aceita tomar o café da manhã comigo?
Algum tempo depois,
2
o jornalista já estava dentro de suas roupas. Recomposto, aproximou-se da mesa e sentou-se, sob o olhar amistoso e quase maternal da mulher:
- Hummm... Vejo que a bebida despertou a voracidade de seu apetite.
- O excesso de álcool me descompensou. Vou lhe dar um bom prejuízo.
- Não se preocupe. – disse Madine sorvendo seu suco natural – Uma boa porção de frutas e mel vai ressuscitá-lo.
- Estou constrangido. Não sei como agradecer o que fez por mim.
- Não se preocupe. – ela prosseguiu ao terminar de beber o suco – Não foi nenhum sacrifício. Agora está tudo bem. Espero que não se incomode falando um pouco sobre você. O que faz?
- Sou jornalista. Ou melhor: fui! Demitido há alguns meses. O editor-chefe recusou-se a publicar matéria sobre um caso de corrupção no gabinete da prefeitura, porque os fatos comprometiam um parente dele. Fui destacado para a cobertura; investiguei, colhi informações, cruzei os dados e... Bingo!!! – estava com o maior furo de reportagem dos últimos tempos. Só não sabia que o principal implicado na trama era o genro do chefe. Quando vi meu texto modificado publicando uma notícia maquiada e com minha assinatura, fiz o maior estardalhaço na sala da chefia.
- E pelo visto, nosso herói dançou na corda bamba...
- Dancei. Pior: tive que dividir o dinheiro dos direitos trabalhistas com a fiança na delegacia e com o esteticista, para pagar a recuperação do maldito sorriso do editor-chefe.
- Uau! Você parece ter um pavio bem curto, hein?
- Não é bem assim. Foi a primeira vez que agredi alguém. O canalha mereceu.
- E o que veio depois disso?
- Preenchi formulários em dezenas de agências de emprego. Os boatos sobre minha demissão se espalharam rapidamente. Ninguém quer contratar um jornalista neurótico e agressivo. É como dizem por aí: só falta publicar a foto do maníaco. Maldito sistema!
- Não lamente. Há males que vêm para bem. O que fez durante este período de inatividade?
- Passei alguns dias com meus pais no sul. Voltei e revisei alguns capítulos do que eu ouso chamar de livro.
- Ah! – aquele pacote que carregava no american-bar? Eu trouxe. Vi o título: “A Palavra Perdida”. Do que se trata?
- É um ensaio. Achei que enquanto esperava novo emprego, pudesse acordar o arremedo de escritor adormecido nos aventureiros que vivem além de seus próprios limites.
- Já que os originais estão aqui, posso ler?
- Claro!
- Bem, percebo que está mais à vontade. Faz bem relaxar um pouco.
- Também acho...
- Então, diga-me: o que pretende fazer se acabar o dinheiro antes de um novo emprego?
- Bom, quando e se isso acontecer, por favor, alguém jogue a toalha no ringue, por mim.
- Bem – continuou Madine esfregando delicadamente a ponta do dedo sobre a borda do copo - tenho uma proposta a lhe fazer. Talvez seja interessante, pelo menos por ora.
- Então, vamos a ela – respondeu Daniel, esboçando certo otimismo.
- Está disposto a dar uma guinada de alguns graus em sua vida?
- Hummm... Talvez. Parece que a este ponto, qualquer desafio é mais emocionante que a dificuldade. O que você tem em mente?
- Na verdade, penso que ainda é cedo para expor. Preciso ter certeza de que você não teria dificuldade de se familiarizar com a idéia.
- Hummm... Quanto mistério – disse Daniel franzindo a testa. – Será que você assalta bancos? Não gostei nada do final do filme Bonnye & Clyde...
- Como humorista – atalhou Madine – você seria o último cliente favorecido pelo seguro desemprego, sabia? Vou rir depois. Em outra ocasião falarei sobre a proposta.
Daniel fez menção de se levantar e estirou ambas as mãos sobre a mesa na tentativa de consertar a situação:
- Desculpe; não quis ofender. Obrigado pela gentileza. O café está ótimo. Você é excelente na cozinha. Agora tenho que ir...
- Calma calma. Diga onde mora e ganha uma carona.
Ele afastou-se um pouco da mesa e tentou justificar-se:
- Não, obrigado. Preciso caminhar um pouco. Vai me fazer bem. Tenho que oxigenar meus tubos.
- Bobagem. Espere só até eu apanhar as chaves – completou Madine.
Dali até o apartamento de Daniel, foi pouco tempo. Ele despediu-se de Madine com um sorriso de agradecimento:
- Muito obrigado. Está confirmado o almoço na sexta-feira. A gente se vê.
Antes de entrar, apanhou a correspondência, checou a secretária eletrônica e começou a ler um jornal do dia.
II
Terminado o jantar, Madine e Daniel acomodaram-se à frente da lareira, sobre almofadas macias. A decoração do ambiente chamou a atenção do visitante, que não conseguia tirar os olhos das obras de arte, tanto pinturas como esculturas e tapeçaria, além de móveis e outros objetos de adorno. O que o intrigava bastante era um monólito negro com estranhas inscrições. Ela notou:
- Percebo sua curiosidade. Explico depois a origem de todos estes objetos. Sou colecionadora nas horas de folga; um hobby de família.
Sorrindo com certa perplexidade a título de satisfação pelas explicações, Daniel ensaiou um galanteio:
- Antes que me esqueça, parabéns pelo jantar. Você é bem melhor do que imaginei... Na cozinha, é claro. Importa-se em falar agora, sobre a sua, digamos: proposta?
- Antes – respondeu Madine com a mão desenhando um sinal de “espere” – gostaria de falar sobre seu livro. Gostei do enredo. Por que não publica?
- Porque não sou editor e dez deles já me disseram que ainda não está bom. Parece que terei de esperar mais tempo até que a veia de escritor seja perfurada pela agulha da inspiração.
- Talvez com um pouco mais de sorte você consiga quem publique seu trabalho – ponderou Madine – A mobilidade dos personagens é boa. O enredo faz bem o estilo de Og Mandino e Richard Bach. Alguma ligação com ambos?
- Bom, há um pouco das duas coisas. Tem muito do meu cotidiano. Muitas passagens são autobiográficas, sem arranjo de estilo.
- E sobre o tema central, “A Palavra Perdida”: afinal, isso é só um chamariz para prender a atenção do leitor, ou existe mesmo tal palavra perdida?
3
- É uma longa história. Existe uma palavra perdida. O tipo de coisa que os místicos conhecem. Acho que não foi boa idéia incluir isso no enredo. Os grandes sucessos editoriais de hoje são mais do tipo comercial, onde a trama gira em torno de intrigas, dinheiro, sexo, drogas, corrupção, etc.
- Não, Daniel; nem sempre. Há público para todos os estilos...
- Argumento pouco convincente para editores ambiciosos.
- Bom, o importante é que você não desista. – consolou Madine – Acredite na sorte. Um dia, quem sabe?... Quer saber agora sobre minha proposta?
- Ah! Sim, claro. Fale.
Madine puxou uma das almofadas sobre os joelhos e cruzou as mãos sobre ela:
- Trabalho para a Fundação Alpha, da França. Departamento de Pesquisas Avançadas em Projetos de Botânica. Nosso desempenho intensificou-se depois do ECO-90, congresso internacional realizado no Brasil. Fui destacada para coletar dados preliminares sobre um vegetal existente no território brasileiro, possivelmente no centro-oeste ou no norte. Algo ligado a uma seita nativa. Os rituais incluem a ingestão de uma poção extraída de uma planta, que dizem provocar fenômenos bio-psíquicos, eliminando diversos tipos de enfermidades graves. Preciso de um assistente. Uma espécie de guia colaborador nas pesquisas.
- E você acha que me enquadro?
- Por que não? Como jornalista, você já deve conhecer bem a região. Além disso, as reportagens sobre a repressão militar à guerrilha e ao garimpo ilegal já o promoveram a general de batalha.
- Como é que você sabe disso? – interrompeu Daniel sem disfarçar o espanto.
- Departamento de “Operações Especiais” da Fundação Alpha. Aguarde um momento.
Madine levantou-se e foi até um armário na sala de serviço. Apanhou alguns papéis e retornou, colocando tudo sobre uma mesa. Daniel levantou-se também e começou a examinar o material. O arquivo de recortes datava de cerca de cinco anos atrás e os destaques feitos com pincel atômico nas matérias, sinalizavam as reportagens assinadas por Dan Hard. As edições espalhadas sobre a mesa estavam diante do próprio autor das reportagens, totalmente surpreso:
- Como foi que conseguiu isso?
- Faz parte da profissão. Creia ou não, foi pura coincidência tê-lo encontrado no american-bar. Dan Hard fica mais adequado; um toque artístico para um jornalista de peso como você.
- Certo. Mas como eu entro nesse filme?
Acomodando o arquivo, ela explicou:
- A Fundação reservou um razoável orçamento para as pesquisas. Garante despesas com alimentação, vestuário, transporte e alojamento, mais o seguro de vida. Três mil dólares mensais, parcelas liberadas semanalmente, direto para a conta bancária, com cartão de crédito e contrato por um ano. Não é uma fortuna, mas não se pode desprezar. Aceita?
Pensativo e com o polegar e indicador roçando o queixo, Daniel acedeu:
- Bem, dizem que cão que rejeita osso...
- Presumo ser razoável a oferta, enquanto não surge algo melhor. Nossa equipe embarca segunda-feira. E agora, se me permite, ofereço um brinde ao meu futuro assistente. O que prefere: vinho, champanhe ou?...
- O que você quiser – sorriu Daniel. – Para funcionar melhor o cachimbo da paz.
Os dois sorriram. Tomaram generosas doses enquanto falaram sobre amenidades. Coisas comuns para quem se conheceu em circunstâncias não muito comuns.
III
O ronco do turbo-hélice não incomodava mais que os solavancos provocados pela turbulência quando o avião entrava nos bolsões de ar quente. Além da tripulação, dez pessoas integravam a equipe da Fundação Alpha. A roupa, de brim rústico, lembrava de perto o uniforme dos boinas-verdes do Vietnã, mas destoava do vestuário dos jogadores de paint-ball. No fundo, um ar de protetor ambientalista dava o tom da ação do grupo, que desembarcou e dirigiu-se diretamente aos veículos que já os aguardava há algum tempo.
O comboio rodou por estradas esburacadas, que ora se transformavam em trilhas batidas e estreitas, ora pareciam não existir mais. Diversos animais selvagens vagueavam ao longo do caminho. Algumas aldeias nativas eram os únicos sinais da presença humana naquelas paragens. Apesar da temperatura amena – o que era uma exceção naquela época do ano - a região tropical dava mostras de que não tardaria a cair um forte aguaceiro, ocorrência bastante comum por ali. Findo o longo percurso, a equipe parou diante de um acampamento delimitado por placas indicativas, todas elas com a inscrição e símbolos da Fundação Alpha.
Enquanto três monitores dirigiram-se a uma barraca ao centro e a maior de todas, o resto do grupo desembarcou o material de trabalho. Daniel e Madine seguiram os três homens. Foram recebidos por dois outros elementos que trajavam o mesmo uniforme. Presumivelmente do setor de segurança porque empunhavam armas de grosso calibre. Quatro torres abrigavam dois homens cada uma; eram sentinelas do acampamento. No interior da barraca, sem qualquer cerimônia, os três homens sentaram-se convidando Daniele e Madine a fazer o mesmo. Depois de retirar o gorro e os óculos escuros, o homem que parecia ser o mais idoso do grupo, abriu uma pasta azul volumosa que trazia à mão, retirou alguns papéis, colocou sobre a mesa e dirigiu-se aos demais:
- Espero que tenham feito uma boa viagem. Todos os segmentos de nosso trabalho estão amplamente detalhados nos memorandos que serão entregues a cada um de vocês. A mim cabe checar todos os levantamentos feitos, a partir das orientações recebidas e informar diretamente a Fundação. Estudem bem suas planilhas e mapas. Roupas, utensílios e demais materiais necessários serão entregues no devido tempo. O trabalho começa com o raiar do dia com toque de despertar às cinco da manhã. Agora, todos estão dispensados e liberados para fazer o que bem entenderem. Obrigado e bom desempenho nas tarefas. A Fundação Alpha acredita que todos estejam à altura desta missão. Boa sorte senhores e senhorita.
A cortesia do homem não escondia o ar grave de seu rosto, indicando que a Fundação apostava na seriedade de seus funcionários. Por coincidência, Madine e Daniel puderam dividir o mesmo aposento, já que ele fora contratado para ser seu assistente. Como faltavam ainda algumas horas para o por do sol, os dois resolveram fazer reconhecimento da área próxima ao acampamento, tomando uma trilha batida que deslizava pela colina e terminava na margem de um rio.
Para a mulher, o passeio foi mais divertido, permitindo a análise de diversos tipos de vegetais. Para Daniel, nem tanto: os mosquitos eram verdadeiro estorvo. Mas tudo foi compensado com um restaurador banho nas águas cristalinas que acrescentaram certo toque de magia à paisagem, destacando-se as generosas curvas do corpo alvo e esguio de Madine.
4
Na manhã seguinte, após a reunião com o supervisor do programa, a equipe seguiu motorizada por uma estreita trilha na selva. Os monitores ocupavam um furgão que ia atrás de um jipe com dois seguranças armados. Madine e Daniel estavam logo atrás, também num jipe e acompanharam os demais veículos por vários quilômetros, parando a poucos metros de uma aldeia encontrada numa clareira da mata. Do caminhão logo atrás, desceu um homem de cor escura, estatura baixa, aparentando ser um dos habitantes do local. Passou pelos veículos à frente e dirigiu-se ao inspetor. Feito isso, rumou para o ponto que parecia ser o portal de entrada da aldeia, guarnecido por dois grossos troncos entalhados com lâminas afiadas, onde se podia notar a superposição de carrancas enlaçadas por tiras de cipós atados a ossos, dentes e crânios de animais. Alguns minutos depois, o homem voltou e falou ao inspetor, com gestos que indicavam a autorização para a entrada do grupo nos limites interiores da aldeia.
Apesar de ter sido feita a checagem do material antes da saída, Daniel verificou uma vez mais seu equipamento. Os outros que portavam armas, os seguranças, permaneceram junto aos veículos, enquanto Madine, Daniel e os três homens em companhia do baixinho, rumaram na direção da aldeia.
Mal haviam transposto o centro da área ocupada por dezenas de cabanas, notaram a presença de vários guerreiros pintados portando diversos tipos de armas vindo na direção do grupo. À frente, um ancião que parecia ser o chefe. O baixinho, em sinal de reverência, curvou-se diante do silvícola e pronunciou algumas palavras. O índio ergueu a mão direita e voltou-se para o grupo que o acompanhava, indicando em sua língua, estar tudo sob controle. Os guerreiros recuaram alguns passos abrindo um corredor, permitindo a passagem dos visitantes que foram guiados até um pavilhão aberto, coberto por ramos e folhagens. Foram vários minutos de conversação intermediada pelo intérprete nativo. Ao cabo do inusitado encontro, o inspetor abriu a caixa que trazia à mão e ofereceu o conteúdo ao índio, em ato de cortesia e agradecimento pela acolhida e cooperação.
Tempos depois, a equipe estava de volta à trilha, tendo além dos funcionários da Fundação, a companhia de cinco índios embarcados no caminhão de suprimentos, o último do comboio. Foram percorridos muitos quilômetros selva adentro até os veículos pararem para o almoço da equipe.
Os serviçais contratados para as tarefas pesadas, movimentaram-se rapidamente e armaram pequenas tendas. Madine e Daniel acomodaram-se naquela a eles reservada e trataram de ficar um pouco à vontade, aguardando a hora da refeição.
- Como é? – irrompeu Madine retirando o quepe e soltando o cabelo – surpreso com o primeiro dia de Vietnã, depois das delícias de Disneyworld?
Daniel franziu a testa, num gesto bastante comum seu e tentou sorrir, ou ao menos, não ser deselegante:
- Hummm... Digamos que os pontos de interrogação ainda sejam em maior número que as exclamações. Espero que os mosquitos dêem uma trégua. É melhor ver o Tarzan sentado confortavelmente numa poltrona de cinema, você não acha?
- Apesar de tudo - concordou Madine sorridente – seu humor está bom. Para começar, isso ajuda.
- Parece que depois do lanchinho vamos encarar a parte mais difícil da missão.
- Correto. Segundo meu memorando, neste ponto a equipe deverá acampar por algum tempo. Os possíveis contatos com a seita deverão ser feitos a partir daqui. Os índios guiarão nosso grupo.
Daniel derramou sobre a cabeça a água de um pequeno balde e estirou-se sobre uma cadeira. Pernas esticadas para frente e mãos cruzadas na nuca. Espreguiçou-se demoradamente e prosseguiu:
- Até aqui, tudo bem. Nada de incidente. Mas, já passou pela sua cabeça que estamos num território selvagem e que alguns habitantes podem não gostar muito da nossa cara?
Madine afrouxou as amarras do calçado, desabotoou um ligamento da jaqueta e abanou-se com o quepe, sentando-se no chão, enxugando as gotas de suor que se multiplicavam pela face. Respirou fundo antes de responder:
- Não devemos nos preocupar com isso, apesar de ser útil toda a cautela possível. Os seguranças garantem. E para sua tranqüilidade, há um bom seguro de vida em seu nome, lembra-se?
Daniel sorriu zombeteiro:
- Ora, ora, que graça. Imagine se o pior acontece comigo. Um fundo de seguro paga as despesas para o transporte do corpo onde a família possa velar e depois, um enterro de primeira. O que sobrar, a família doa a uma instituição de caridade. Belo gesto: o heróico fim de um jornalista metido a Jim das Selvas bissexto.
- Você e seu humor negro! – atalhou Madine – Não seja mórbido. Vamos mudar de assunto. Não quero perder o apetite por nada.
Daniel riu de novo e aproveitou:
- Ah! Então, que tal uns canapés de grilo com molho de morcego para entrada? O prato principal: cobra assada com fritas de babosa. Sobremesa? Suco de óleo de capivara com bolinhas de jurubeba. Que tal?
Madine sorriu meio sem graça e atirou o quepe contra o rapaz:
- Você é mesmo incorrigível. O interesse da Fundação neste projeto é científico, apenas isso. Trabalhamos sério há anos nas pesquisas e esta é uma alternativa considerável para avanços importantes. Não apenas no aspecto específico da Biodiversidade. Dois outros elementos da Fundação que estão conosco, pesquisam mineralogia. São cientistas de renome internacional.
Daniel arregalou os olhos, imitando um detetive famoso:
- Curioso! – Por que se preocupar com minerais, num projeto de pesquisa com vegetais?
- A Fundação entendeu que se os trabalhos pudessem se desdobrar num mesmo espaço físico, talvez chegasse a resultados mais amplos, só isso – explicou Madine.
- Que bom. Seu pessoal pensa em tudo mesmo, hein?
- O trabalho pode ser cansativo, dependendo do local e do objeto a ser pesquisado. Mas é bem menos monótono que uma sala de redação ou a tarefa de seguir pistas de notícias ditadas pela pauta de um editor-chefe mal-humorado. Concorda?
- Muito bem. Você venceu. Estão chamando para o almoço. Você me paga um drinque?
- Com muito prazer! – disse Madine, rindo em deboche.
Estendendo o indicador em riste, como se dirigindo a alguma pessoa invisível, arrematou o gesto com uma piada:
- Garçom: sirva a este cavalheiro uma dose dupla de xixi de tartaruga. Sem gelo, por favor...
Os dois caíram na gargalhada. Daniel ajudou Madine a se levantar e foram para junto dos demais, que empunhavam os utensílios para a refeição, no melhor estilo do escotismo.
IV
Após o almoço, o inspetor do programa reuniu os dois outros monitores momentos antes de solicitar entre eles a presença de Madine. O fato provocou a curiosidade da pesquisadora e seu assistente, que tudo fizeram para dissimular tal reação. Ela recebeu do inspetor as instruções contidas no memorando. Checados os materiais e reabastecida a frota, o grupo se pôs em marcha, levando os cinco índios e o baixinho escuro. No acampamento ou
continua...
2) - Alguns capítulos de um livro inédito com cenas humorísticas do cotidiano
Se Meu Troninho Falasse
O primeiro Livro de Banheiro do mundo!
Esta OBRA não tem cheiro e nem contra-indicações.
Não é obra prima, nem tia; muito menos sobrinha.
É dedicada a todos que reconhecem no HIGIÊNICO,
o papel principal (entre os vários acessórios)
utilizado nas emergências da vida.
*TIO PANDARECO
Veja que cena: vulcões cuspindo fogo pra todo lado; monstros pavorosos grunhinho e devorando suas vítimas para saciar a fome; homens peludos e pelados correndo daqui e dali, tentando se proteger dos ataques de temíveis (e falíveis!) dinossauros – aqueles lagartos gigantes que fazem papel de mocinho nos filmes do mago $teven $pielberg.
Num cantinho escuro (havia claro?) no buraco natural do rochedo, um cabeludo e medroso brucutu, cagando na calça...
Ôôôpa! – espera aí: na calça, não!!! – ainda não tinham inventado tecido nem máquina de costura.
A bosta escorria pelas pernas, mesmo!
Chega a noite.
Todo mundo amontoado para dormir.
Mesmo ninguém sabendo se isso era possível naquela época.
A orquestra de roncos e gemidos se mistura com acordes de peidos e arrotos.
Um peidinho fininho de um lado; um peido prolongado do outro; um peidão rasgado acolá.
Merda para toda banda! – ou melhor: bunda!!!
Tudo numa boa.
Afinal, naqueles tempos tudo era muito natural mesmo. Igual nossa água mineral de hoje.
Ninguém poderia julgar como sendo de maus hábitos um cidadão do jurássico que peidasse ou cagasse no mesmo ambiente onde se comia e se dormia.
Essa coisa de separar o que fazer e onde fazer foi inaugurada muito tempo depois, pelos cronistas sociais.
Por estas e tantas evidências históricas, há que se concluir que o primeiro banheiro do mundo foi a forquilha das pernas; o primeiro e fiel depósito de merda que a humanidade conheceu...
...
Privada, WC, latrina, fossa asséptica, casinha, sanitário, cagadô, banheiro e etecétera...
Qual o nome apropriado para este recinto, agora tão necessário e símbolo obscuro entre as mais badaladas conquistas da civilização moderna?
Cada povo, dependendo dos costumes e hábitos de higiene, tem, pelo banheiro, singular reconhecimento quanto ao papel que ele representa.
Costuma-se chamar de banheiro, o local da casa onde estão instalados um vaso sanitário para a gente cagar e mijar (como atividades principais; se bem que tem gente que faz outras coisas lá); uma pia com lavatório; um armário com utensílios para higiene pessoal; um espelho; um cesto para roupa suja e outro para papel higiênico usado.
Nem todos estes acessórios estão juntos no mesmo local, dependendo da condição sócio-econômica da família.
Há também no banheiro, um box para banho; uma banheira com aquecimento e até hidromassagem, o-furô (furô quem???) e outros que tais.
Sem esquecer aquele vaso (tradicionalmente cor-de-rosa) que recebe o nome de bidê.
Seria uma homenagem a algum gênio francês, que resolveu imortalizar sua cortesia para com as beldades, através de sua criativa invenção?
Pelo sim, pelo não, nenecas e dondocas em todo o mundo, agradecem ao criador da sensação de limpeza e bem-estar, depois de um jato de água quente de baixo para cima, assim que acabam de fazer xixi.
Até hoje ninguém sabe ao certo se foi o bidê que serviu de inspiração para construção de chafariz de praça ou vice-versa!
...
Falta de banheiro em locais de festas populares é um inferno, principalmente quando o atrativo da época de calor é o chope ou a cerveja.
Os assados e demais prendas vendidos nas barracas, geralmente são carregados com tempero forte.
Pobre de quem exagera comendo: tem que se esconder atrás da barraca para se aliviar, em caso de emergência.
Veja só o que aconteceu com um sujeito.
O cara arrematou um frango assado e escondeu num quartinho onde os festeiros guardavam material de serviço.
Um outro espertinho viu a manobra e esperou que ele voltasse e se distraísse.
Minutos depois, deu um jeito e entrou no quartinho, sem que ninguém percebesse.
Estava bem escuro.
Foi apalpando, apalpando, até que encontrou o que procurava, bem num cantinho, no chão.
Comeu tudo, no escuro mesmo!
Mas havia algo de estranho: alguma coisa no tempero não cheirava bem.
Sem falar que o espertinho, mesmo com pressa, percebeu que havia comido dois pescoços; um deles tinha quase nada de osso!!!
Ora, ora: como podia ser???
Frango só tem um pescoço!!!
Pois é: ninguém avisou o ligeirinho que algum tempo antes, um pançudo se sentiu "apertado" e correu para o quartinho a fim de dar uma cagadinha rápida.
Fez o monte ali, bem no cantinho onde o homem tinha escondido o frango assado.
O segundo pescoço, com tempero esquisito, era a legítima bosta do gorducho.
...
Com o advento do papel higiênico, a sagrada missão de ir ao banheiro ficou mais fácil.
Chegava ao fim a era do uso do sabugo, jornal ou papel de embrulho.
Muitas fábricas começaram a faturar mais e muita bundinha sensível passou a desfrutar do conforto de estar bem limpinha, sem o incômodo risco de ferimentos ou assaduras, devido ao uso indevido de material mais áspero e contundente.
...
Numa família rica, o mordomo (por que é que ele sempre se chama Alfredo?) deve ficar atento, para levar o rolo de papel branquinho, assim que é convocado para tão nobre missão.
Os filminhos não mostram; nem os comerciais de televisão, mas, será que os mordomos, além de levar o rolo de higiênico em bandeja de prata, usando luvas brancas, também têm de limpar a bunda do patrão, da madame ou do juninho?
Isso deve estar num outro filme...
...
Numa família classe média, a "perua" nuuuuuuunca pode ser incomodada pela empregada, quando está no banheiro.
Se o telefone toca, ao atenderem, sempre dizem que o doutor acabou de entrar para o banho... para ligar dali a meia hora.
A mocinha com as orelhas tapadas pelo disc-man, fica horas a fio trancafiada no dito cujo, com a calcinha arriada sobre o tênis, lendo a última edição da revista de tevê.
O jovenzinho não deixa por menos: acaba com o estoque de sabonete (para evitar calos na mão!), devorando toda a coleção de revistinhas pornô.
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Numa família pobre, quando ele acaba de entrar, mal desabotoa a calça a fim de fazer seu depósito compulsório sagrado, vem o pentelho e bate na porta gritando: "paiê, tem gente chamando"...
A menina que está lá dentro só fazem cinco minutos, berra pro irmão que não pára de bater na porta: "seu viadinho, qué pará de encher o saco? – Não percebe que eu tô cagando, pô???...
A mãe, depois que o banheiro está desocupado, dá a maior bronca: "puta que pariu!!! – será que ninguém sabe puxar a descarga desta merda?; Zezinho: quantas vezes eu já disse pra não deixar cueca no chão?; Ritinha: lugar de calcinha é no varal, não no vitrô, sua égua"...
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Numa favela – onde agora a turminha do “nóis-tá-podendo” batizou de comunidade, a coisa é feita pelo sistema de cooperativa. Quem quer cagar ou mijar, tem que entrar na fila.
Sem o número da senha na mão, nem pensar.
Se furar fila, toma castigo: não poderá usar a “casinha” durante três dias.
Se for apanhado tentando retornar antes do prazo, leva o maior cacete do "zelador".
Agora, se a onda apertar muito e o malaco não resistir, o jeito é fazer as coisas nos cantos, mesmo.
O cheirinho??? – ah! O cheirinho é só mais um detalhe...
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Numa rodoviária de cidade pequena, média ou grande, tudo é absurdamente igual.
Pagando ou não algum dinheiro antes de passar pela roleta, a gente entra no único lugar onde todos parecem ter a mesma necessidade.
É uma espécie de esquina do mundo, onde somos semelhantes pela apertada circunstância: todos precisamos cagar ou mijar.
No sanitário masculino, a barra é pesada: chão respingado de urina por todos os lados; portas com maçanetas quebradas; paredes pichadas com nomes de ilustres babacas visitantes que fazem questão de revelar a merda da cidade de onde vieram.
O mais trágico do episódio: nem sempre tem papel higiênico à disposição do usuário.
Aí, se você tiver em mãos aquele abençoado jornal, tudo bem.
Se não, tem que pagar extra pro funcionário, que lhe fornece uma toalhinha de papel reciclado.
Ou então, adeus página de agenda.
No mictório (ou mijatório) - aquela espécie de cocho metálico ou de alvenaria, comprido, com água corrente (às vezes!) e fatias de limão ou desinfetante pra cachorro - é um verdadeiro sacrifício.
O cara chega e já tem lá, meia dúzia de neguinho, com o mastro na mão.
Os mais inibidos suam frio para conseguir um xixizinho forçado.
Uns mijam do lado de dentro e outros, pra fora do rego.
Pêlo de pentelho pra todo lado.
E quando um "chegado" começa a encarar o "instrumento" do colega ao lado? Aí, cara, nem mijo, nem nada; nem adianta tentar assobiar.
Pra quem tem o "bingola" do tipo mignon, é um alívio olhar o do cavalheiro vizinho e confirmar discretamente que o "pequeno que satisfaz" não é tão pequeno assim...
Depois de arrumar a cinta e ajustar a camisa para dentro da calça, sacudindo a pança, é um alívio soltar um peido sutilmente e caminhar para o lavatório, onde a gente encontra (às vezes!) ao lado da pia, um recipiente contendo solução química à base de aromatizante e veneno de barata.
Mãos lavadas, uma ajeitadinha nos cabelos, e: pronto! – vitória sensacional na maratona do "sanitário" da rodoviária.
Isso se, antes, ao terminar a difícil guerra pra tentar mijar, o cidadão, com pressa e receio de perder o próximo ônibus, não prender os pelinhos do saco no zíper da calça.
Ai, isso dói pra caramba!!!...
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Num banheiro feminino, em locais públicos, a coisa seria diferente?
Talvez...
Elas entram com a maior classe do mundo: são um monumento à delicadeza e bons modos.
Giram a maçaneta da porta (lá sempre tem uma que está funcionando!) e permanecem por alguns breves minutos.
Retornam com um sorriso no canto dos lábios, felizes da vida (por que hein?) – retocam a maquiagem, reforçam o penteado e aplicam batom.
Tem sabonete de cheiro nas cubas dos lavatórios. O ambiente é bem cuidado: limpeza nos cinco cantos.
Elas ficam à vontade.
Ninguém percebe o ruído insuspeitabilíssimo do peidinho, que de tão civilizado e comportado, poderia ser chamado de peido poético; totalmente (!?) inodoro.
Levantam saias, arriam calças e calcinhas com uma elegância de miss em plena passarela.
Cagam como se fossem inocentes passarinhos e limpam a bundinha como se estivessem tocando violino numa orquestra.
Se precisam trocar o absorvente íntimo, é "vapt-vupt": agem com a maior naturalidade.
As não-fumantes aproveitam para chupar bala, chiclete ou mordiscar bombons y otras (possíveis e imagináveis) cositas mas...
Em relação às "belas", há uma curiosidade que não deixa homem nenhum dormir sossegado.
Você se lembra do tempo de namoro "daqueles tempos"?
Por que é que naquela época, a namoradinha pedia licença para ir ao "toillete" e não ao banheiro?
É... as mocinhas daqueles tempos, parece que não cagavam nem mijavam, né?
Mas, iam ao "toillete".
Pode?...
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Banheiro também tem lugar na história.
Sem pretender cometer qualquer leviandade ou ofensa contra as razões que levaram um intrépido e nobre gajo de além-mar a dar o famoso "Grito", tem gente que jura com os quatro pés juntos, que minutos antes do moço proclamar a independência, estava dando sua cagadinha real, num matinho real, às margens plácidas do Ipiranga.
Segundo o matemático Oswald de Souza, já existe 49,99 e meio por cento de chances de que o "grito" tenha se originado da irritação do príncipe, porque foi perturbado enquanto "batia um barro" legal, depois do lanche.
Ninguém conta; não afirma, mas não desmente que se Sua Alteza Imperial não tivesse sido incomodado, até hoje, uma turminha de bigode e tamancas, lá do Velho Mundo estaria usando e abusando do nosso pau.
Pau-brasil...
...é claro!!!
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Dizem que colo de mãe e ombro de amigo ajudam no desabafo das frustrações da vida.
Não é errado pensar assim.
Mas seria injustiça não fazer um tripé com a utilidade do banheiro, o fiel amigo para alívio das tensões do cotidiano.
Quando você está putézimo da vida, mordendo abelha e cuspindo em cara de cobra, sem um ombro amigo nem a mãezinha pra agüentar a ladainha do desabafo, o que resta fazer?
Ne-ga-ti-vo!!!
Tiro na cabeça não resolve!
Vá ao banheiro.
Livre-se calmamente das roupas.
Sente-se no troninho como se fosse o manda-chuva do pedaço (ali você pode até se sentir o rei da cocada preta, sem crise!); imagine que tudo vai mudar para melhor a partir daquele momento.
E quando você começa a fazer seu xixizinho, pense que seus problemas estão deixando você em paz, correndo seguramente para fora de seus tubos.
Depois do xixi, vem o fiel amigo do conjunto: o peidinho companheiro, que é para você ter certeza de que isso representa sua comemoração, como se estivesse soltando fogos de artifício na festa da vitória de seu time preferido.
Aí então vem a bosta.
O barulho da coisa caindo na água do vaso, é como o carimbo da sua conta bancária com mais um depósito; mais uma pedra de gelo no seu uísque, na festa que o chefe deu pra promover você, o melhor funcionário da empresa; o estouro do champanhe no aniversário da esposa; o barulho das ondas do mar durante seu passeio pelas ilhas gregas; o "plocte-plocte-plocte" do cavalo que você monta durante as férias numa "posada" mexicana.
E por aí afora.
Tudo no maior legal...
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Antigamente, banheiro tinha nome de "privada", lá pras bandas do sertão.
E naquels lugares, onde a onça costuma beber água, era comum o "pau cair a folha" por pouco e por nada.
Aconteceu num botequim de beira de estrada, um forrobodó dos diabos: rabo-de-arraia pra cá; furada de bucho pra lá; caco de vidro voando baixo e porrada no pé do ouvido a torto e a direito.
No meio da confusão, sobrou até pro papagaio, que caiu do poleiro.
O coitado levou um tremendo chute na bunda, caindo lá dentro da privada.
Com a "consciência" doendo, o bichinho ficou lá embaixo, no meio da merda, xingando meio mundo, putíssimo com a rasteira da sorte madrasta.
De vez em quando, vinha um: ora uma mijadinha rápida; ora uma escarradinha que caía lá de cima, direto do palco da encrenca, que continuava quente.
Até que entrou na privada, uma mulher.
Depressa, levantou a saia, baixou a calcinha e agachou-se para mijar.
O papagaio olhou pra cima; quando viu aquela coisa enorme, escancarada, disse: "cacete! – ainda bem que estou fora dessa briga. Olha só que puta navalhada levou aquele lá"!!!...
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Conselhos úteis para quem gosta de "fazer hora" no banheiro:
Primeiro – cuidado com o buraco da fechadura. Pode ser que a intimidade de quem está dentro seja totalmente devassada e conhecida por quem está do lado de fora.
Segundo – quando estiver tomando banho, não se esqueça de ter sob os pés uma placa anti-derrapante no piso do box, porque excesso de sabonete, ou melhor, espuma e outros líquidos viscosos pode provocar quedas com conseqüências imprevisíveis, que tirariam todo o embalo e emoção da homenagem que você estaria dedicando à gatinha do andar de cima ou à vizinha do lado.
Terceiro - verifique qual é a freqüência com que você sente aquela tentação de cantar sob o chuveiro. Pode ser que o mundo esteja perdendo a chance de conhecer o Pavarotti que existe em você, ou, mais modestamente, o Waldick Soriano desvairado e bissexto que solta a franga apenas no palco onde ele é também a única platéia presente que aplaude (porque a outra platéia não é cachorro, não!)...
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Alguém deveria escrever sobre a influência positiva que o banheiro exerce no homem.
Perceba: ali, a gente entra "apertado" e sai leve, leve.
Entra apavorado e sai sorridente.
Aquele bendito lugarzinho é mesmo porreta; todo mundo sai mudado de lá.
Você conhece alguém, além da faxineira, que xinga quando está lá dentro?
Bom, bom... não vale falar da turminha do cu bichado; os da hemorróida, que cagam prego depois do churrasco apimentado, como se estivessem dando à luz pelo rabo.
Bem feito: quem mandou abusar?
Ou será que eles haveriam de querer que a bosta saísse pelos poros, só pra poupar o fididinho?
continua...
3) - Um razão para pensarmos juntos
REENCARNAÇÃO - FATO OU BOATO?
Muitas das seitas atuais pregam ou defendem a reencarnação.
Com tenacidade; argumentação titânica e disposição olímpica.
Há quem diga que já viveu outras vidas; que viveu em outros países; que foi fulano de tal na época tal; beltrana num outro continente ou sicrano, no passado.
Que lógica pode sustentar essas teses?
Para você que é adepto da tese da reencarnação ou que a defende, um convite: vamos pensar juntos. Por um breve instante, deixe de lado suas convicções e permita-se guiar pela lógica.
Se você crê num Criador, aceita que Ele criou você à imagem e semelhança Dele e conhece você e sabe seu nome desde antes da fundação do mundo. Então fica simples admitir que você "não esteve lá", mas que pelo fato de ter sido criado à imagem e semelhança do próprio Criador, você "se lembra" de algumas lembranças que Ele tem de lugares, coisas e pessoas, que Ele mesmo criou...
Convença-se: você "nunca esteve lá antes, na pele de ninguém"!!!
Isto não é o bastante? Então, por favor, dê uma chance ao bom senso.
Leiamos juntos na BÍBLIA, em Hebreus 9.27: "E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,"...
Leiamos também em Eclesiastes 9.5-6: "Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol".
Reflita.
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Até breve.