NASCIMENTO DE JESUS


NASCIMENTO DE JESUS

 

A data por todos nós conhecida, o 25 de Dezembro, esteve envolvida em muitas efemérides pagãs, de origem mitológica, ligada ao mito solar.

Em Roma, por exemplo, desde o tempo do Imperador Aureliano (274), o dia 25 de Dezembro - Solestício de Inverno, no calendário Juliano - era consagrado ao “nascimento” do sol.

Na Ásia e na Europa, o Inverno era considerado uma estação nefasta, na medida em que cobria os campos de neve, impedindo-os de “produzir”. Mas passado Inverno, surgia no céu a constelação da Virgem, que dava nascimento ao Sol, o Messias, ou seja, o que trazia de novo as messes, as colheitas, a vida e a fortuna.

 

O Nascimento de Cristo sempre esteve envolvido em controvérsias, na medida em que, na realidade, os antigos calendários Romanos eram muito pouco confiáveis.

A Igreja Romana contrapôs ao dia 25 de Dezembro do “nascimento” do Sol, a festa cristã do Natale de Cristo, o verdadeiro “Sol da Justiça”.

Esta festa estendeu-se por todo o Ocidente, sendo adoptada por todas as igrejas Ocidentais, e foi-se enriquecendo, ao longo dos tempos, pela incorporação de hábitos e costumes de várias culturas.

 

Assim, não se sabe realmente quando Jesus nasceu.

 

A tradição do Natal tem quase 2 milénios, de modo a que, todas as religiões que festejam o Nascimento de Jesus, adoptaram esta data de natureza convencional (no plano histórico).

 

Como conhecedores do Natal no marco mitológico na história das religiões não nos cabe reformular a história cristã, no entanto, cabe-nos esclarecê-la.

 

Sabemos, portanto, que a tradição que se mantém ao longo de quase dois milénios tem origem em costumes e hábitos de várias culturas que deu origem a que à data comemoremos o Natal com o rigor que é possível a cada cidadão, a cada família.

ENTENDIMENTO DO NATAL

Com o passar dos séculos, dos milénios, o Homem foi desenvolvendo capacidades extraordinárias, quer a nível da Ciência, da Filosofia, como mesmo da própria religião. Houve, portanto, uma evolução ao longo dos tempos, sendo que hoje, podemo-nos considerar espíritos mais evoluídos e como tal, com maior capacidade para dar o devido entendimento ao Natal.

Apesar da data em si nada significar, ela pode e deve ser aproveitada para a reflexão sobre a Lei de Amor, trazido pelo maior de todos os espíritos que esteve entre os homens.

O verdadeiro Cristão deveria avaliar-se com sinceridade sobre o que constituiu de bom e sobre o que fez de mau, colocando-se com humildade diante de si mesmo e diante de Deus, comprometendo-se com a sua consciência em trabalhar não só pelo sucesso da vida material mas, e principalmente, pelo aprimoramento espiritual, pois nada se leva desta vida a não ser os tesouros imperecíveis do Espírito.

Este é o melhor presente que se pode dar a Jesus, pastor de todas as almas, a supostamente, o dono do aniversário.

25 de Dezembro é um pretexto mais do que bom para se reconciliarem irmãos, para se reexaminarem projectos que visem o crescimento espiritual para se vibrar intensamente o Luz do Amor Universal, para se programar um Natal – Permanente.

Façamos algumas reflexões sobre o Natal; esforcemo-nos para ser um dia, os verdadeiros discípulos de Jesus, eia que tantas vezes do Mestre nos afastamos, em gestos, em atitudes.

O mundo atravessa dias cruciais, e o homem, divorciado de sua origem divina, esquece-se de que a grande força aglutinadora é, ainda, a fraternidade que nos une, que nos torna mais felizes.

No entanto, imperam forças opostas: o orgulho, a vaidade, a soberba.

Todos querem ser superiores e, presos a essa promessa, esquecem-se de que somos irmãos filhos do mesmo Pai.

O Natal vem perdendo o seu simbolismo de festa do amor, da família, com simplicidade e naturalidade. Deixou de ser uma festa espiritual que recorda a vinda do Cristo Governador do Mundo. Festa de compreensão entre os homens, da humildade, para transformar-se em pretexto de um egocentrismo condenável sob todos os pontos de vista.

Qual diferença do Natal que nos querem impor…

Natal de variadas iguarias e de bebidas as mais sofisticadas, de esbanjamentos sem conta. Natal de muita publicidade do “compre mais”… Em nome de Jesus?!

Judas, perturbado, vende o Mestre por trinta dinheiros, e que fazem os homens de hoje, consciente ou inconscientemente?

O Natal transformou-se numa autêntica festa pagã, aumentando, ainda mais, a revolta do pobre que não pode dar ao filho a alegria de um brinquedo, que o faria sorrir; que nem sequer pode nessa noite, saciar-lhe a fome, ou comprar um remédio para o outro filho doente…

Precisamos nos unir, lembrando a Manjedoura de Belém, num movimento de cristianização do Natal, impedindo que essa festa pela vaidade e egoísmo dos homens, que só vivem de lucros, se perca na noite triste de incompreensão e do desamor.

O Nascimento de Jesus coincide com a percepção de uma nova luz para a humanidade sofredora. Através dos seus ensinamentos inicia-se uma era nova para o sentimento.

Jesus foi o personificador da 2ª Revelação da Lei de Deus, pois a 1ª viera com Moisés, no Monte Sinai, onde recebera a tábua dos Dez Mandamentos.

No entanto, como Moisés misturou a lei humana com a Lei Divina, Jesus veio rectificar o que de errado havia, como é o caso de transformar a lei “olho por olho” e do “dente por dente” na Lei do Amor e do Perdão.

A Sua pregação da Boa Nova veio ensinar ao homem a Lei da Causa e Efeito e da Justiça Divina, quer seja nesta ou na outra vida, ou seja, a vida futura.

O Espírito de Natal deve ser entendido como revivencência dos ensinamentos de Cristo em cada uma de nossas acções. Não há necessidade de esperamos o ano todo para comemorá-lo se no nosso dia-a-dia estender-mos simpatia para com todos, e distribuirmos os excessos de que somos portadores, estaremos a aplicar eficazmente a “Boa Nova” trazida pelo Mestre Jesus.

O que importa é compreender que a história do Natal, profundamente ligada à tradição espiritualista da evolução terrena, traz para o homem de hoje a mensagem eterna da renovação humana, através dos séculos, pelo desenvolvimento das forças do espírito.

Na noite em que o mundo cristão festeja a Natalidade do Menino Jesus, os espíritas devem lembrar-se de comemorar o nascimento da Doutrina Espírita, entendida como terceira revelação, um novo marco no desenvolvimento espiritual da humanidade, em que todos os problemas, todas as dúvidas, todas as dores, serão explicadas à Luz da Razão e do Bom-Senso. Dentro deste contexto, a lei da Reencarnação é um dos princípios fundamentais para o perfeito entendimento do sofrimento e da dor. De acordo com a reencarnação ou a diversidade das vidas sucessivas, temos condições de melhor vislumbrar o nosso futuro, que nada mais é do que uma continuidade daquilo que estivermos a fazer nesta vida. Optando pela prática do bem, teremos uma vida futura feliz, escolhendo o mal, teremos que sofrer as suas consequências, no sentido de nos adaptarmos à Lei do progresso que é inexorável.

A Lembrar que:

A data é propícia para as famílias que realizam reuniões de estudo do Evangelho no Lar, ofereçam neste dia aos demais familiares a oportunidade de comemorarem o Natal sem os exageros conhecidos.

Participar da vida social normalmente, tendo sempre em mente a condição espírita: O Natal é uma alusão ao Nascimento de Cristo e em nenhuma hipótese os exageros devem fazer parte de nossa vida.

Jesus, em nenhuma hipótese espera que comemoremos o seu aniversário empanturrados de comida ou bêbados, pois Ele veio nos ensinar a viver em paz, a amar o semelhante e a compreender Deus como Pai bondoso e sempre disposto a nos oferecer oportunidades e aprendizado através da reencarnação, como forma de crescer espiritualmente e atingir as altas paragens, até sermos perfeitos.

E para nós, quando Jesus nasceu?

Pensemos mais um pouco; e se descobrirmos que ele não nasceu?

Então, procuremos urgentemente fazer com ele nasça, um dia destes, porque quando isso acontecer, teremos finalmente entendido o Natal e verdadeiramente encontrado a Luz.

Que Jesus nasça em nossos corações e que seja sempre Natal em nossas vidas, para que nunca nos falte a Esperança e a Alegria Cristã.