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A historia da Capoeira em Sao Paulo tem um grande icone dessa arte e luta brasileira a ser estudado, seu nome e MESTRE ZE DE FREITAS. Mestre Ze de Freitas que foi o primeiro Mestre a dar aulas de capoeira na cidade de Sao Paulo, juntamente com ele estavam o mestre Pinatti, mestre Suassuna, mestre Brasilia entre outros. Estes mestres que tiveram com Ze de Freitas se apoiaram nele para iniciar as aulas de capoeira. Ze de Freitas sempre esteve ao lado do Mestre Dulcidio, pois ele tambem dava aulas de luta livre, judo e jiu-jitsu. Mas o que ele mais gosta e da capoeira angola.


CAPOEIRA BRASILEIRA & ESTADO DE SÃO PAULO
Proposta da Delegação Paulista ao “II Congresso Nacional de Capoeira”
26 a 28 de Novembro, Rio de Janeiro-RJ
Apresentação:
A Capoeira no Brasil e no mundo, decisivamente, é o resultado da contribuição cultural de diversas nações, de diversos povos e de diversas manifestações. Mas, por outro lado, a Capoeira moderna é o resultado da evolução histórica, política, cultural e social da capoeiragem baiana, carioca e pernambucana.
O Capoeira participou (ainda que coercitivamente) dos principais momentos da histórica de nossa Nação. É inegável, por exemplo, a presença dos Capoeiras na Guerra do Paraguai (1864-1870); na Guarda Negra (1888 - 1889), defendendo a monarquia que acabara de libertar os escravos; também não podemos ignorar a participação das maltas Guaiamus & Nagoas na transição entre a Monarquia e República.
A Capoeiragem foi perseguida, principalmente nas cidades do Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Major Vidigal e Sampaio Ferraz, no Rio, e Pedro Gordilho, na Bahia, foram os maiores repressores de nossa arte, principalmente entre o século XIX e início do século XX.
Mais tarde, durante o Estado Novo, a Capoeira volta a ser reprimida, não só na Bahia e no Rio, mas em todo o país. A própria Capoeira em São Paulo, nas décadas mais recentes, foi perseguida - ou desestimulada -, mesmo estando vigente a Constituição Federal de 1942, que liberava as manifestações culturais - e religiosas - de nosso povo.
São Paulo & Capoeira Primitiva Paulista
A Capoeira em São Paulo é um fenômeno que deve ser - e está sendo - melhor estudado. Não podemos ignorar, por exemplo, a Capoeira praticada disfarçadamente como Tiririca, ao ritmo do samba paulista, mas sem a presença do berimbau. Era, na verdade, uma forma de dissimular a perseguição policial que se fazia presente principalmente nas décadas dos 40, 50 e 60.
Também não podemos ignorar a Capoeira primitiva do interior paulista, conhecida e praticada como Pernada de Sorocaba, que o folclorista Carlos Carvalho Cavalheiro tem brilhantemente reportado.
Tampouco podemos desconsiderar as informações publicadas recentemente pelo Capoeira-Pesquisador Milton Cezar Ribeiro (Miltinho Astronauta), reportando informações sobre os capoeiras desterrados do Rio de Janeiro para São Paulo. Segundo Alceu Maynard Araújo, alguns capoeiras cariocas, após a promulgação do Código Penal de 1890, foram enviados para outros estados, tendo como destino o fim dos trilhos. No caso de São Paulo, tratava-se das linhas ferroviárias da Sorocabana, que tinham como ponto final a cidade interiorana de Botucatu, próximo de Piracicaba.
O próprio Maynard testemunhou, em seu livro Folclore Nacional, que tomou aulas de Capoeiragem com um carioca chamado Menê, em 1927. Ainda, a historiografia registra a presença de capoeiras no Estado de São Paulo no século XIX: em 1833, os vereadores da cidade de São Paulo editaram uma Postura Municipal proibindo a prática da Capoeira; em 1850 (e depois em 1865 e 1871), as Posturas Municipais de Sorocaba (interior paulista) proibiam o jogo da capoeira; e em março de 1892 houve um conflito entre “morcegos” (praças da polícia fardada) e soldados capoeiras do exército paulista (créditos para Cavalheiro, 2004).
Governo Federal, Estadual & Capoeira em São Paulo
Temos observado que a história reserva sempre diversas atitudes em face de nossa Capoeira, atitudes que vão do ódio ao amor.
Por exemplo, na terra do “alguma coisa acontece no meu coração”, durante o Governo de Júlio Prestes (1927-1930), o presidente do Estado propôs a inclusão da Capoeira no currículo escolar do ensino médio, mas apenas para o sexo masculino. Infelizmente, não sabemos por que a iniciativa não foi adiante. Talvez a iniciativa nem sobrevivesse mesmo ao Estado Novo.
Mais recentemente, nosso Ministro da Cultura, Gilberto Moreira Gil, deu uma volta ao mundo muito importante pra nossa Capoeiragem. Aproveitando os holofotes mundiais, por conta do Ato pela Paz em comemoração de um ano do atentado em Bagdá, que resultou na morte do heróico diplomata Sérgio Vieira de Mello, nosso Ministro escolheu a Capoeira como uma forma de celebrar a paz mundial, ao som dos berimbaus e pandeiros.
O que o Estado de São Paulo espera, verdadeiramente, é que os Ministérios da Cultura, do Esporte e da Educação passem a trabalhar de forma cooperativa. Por que o Governo Federal não propõe a formação de uma equipe que represente as diversas faces da Capoeira, bem como seja integrada por especialistas de diversas áreas de atuação? Ganharia a Capoeira como um todo. Ganhariam os Ministérios, os Governos Federal e Estadual. Ganharia o Povo Brasileiro.
São Paulo, Capoeiras, Sonhos e Realizações
Não é novidade para ninguém que os Estados do Rio, no passado, e de São Paulo, mais recentemente, têm sido escolhidos como palco de atuação de muitos Capoeiras.
A turma de Mestre Bimba, por exemplo, veio para São Paulo (1948 e 49) para apresentar suas habilidades, nas lutas combinadas, para o povo paulistano. Foi a sensação daquele momento, lotando Pacaembus e chamando a atenção de toda a imprensa. Mestre Damião, Perez e Garrido fizeram parte daquela equipe de jovens aventureiros. Basta recorrer às edições de “A Gazeta Esportiva” daquela época para certificar-se do sucesso que nossa Capoeiragem alcançou em São Paulo. Parabéns aos filhos da “Boa Terra” (Bahia).
São Paulo acolheu, principalmente nas décadas de 50 a 80, muitos mestres vindos da Bahia e do Rio. Todos trazendo na mala nada mais que sonhos. Mas trazendo no gingado do corpo, e no viver, uma forma especial de cativar principalmente o público jovem. Os Capoeiras que alçaram vôos magistrais pelos cinco continentes, certamente reservaram antes uma passagem pela capital paulista.
O Estado de São Paulo, “de pau e pedra... de pedra e pau” foi escolhido como o local onde muitos mestres selariam seus destinos, e viveriam suas vidas: Suassuna, Brasília, Joel, Paulo Gomes, Augusto Mario Ferreira, Miguel, Kenura, Belisco são alguns destes nomes. Mestres Acordeon e Deraldo, por exemplo, antes de alcançarem fama internacional com a Capoeira, certamente carimbaram seus passaportes nos aeroportos de Paulistanos.
A Capoeira muito deve, por exemplo, às lutas de um Mestre Damião, de um Mestre Augusto Mario Ferreira, de um Ananias, Pinatti, Joel, Paulo Gomes etc, que lançaram mão de tudo para ver a Capoeira do Brasil prosperar e ser respeitada. Lutando ora pela profissionalização, ora pela organização desportiva, ou então pelo reconhecimento da capoeira como Bem Cultural Imaterial.
Feita esta exposição, a Delegação do Estado de São Paulo, com seus 40 representantes dos 636 municípios, sugere os seguintes projetos para nossa CAPOEIRA:
Projeto 01 – Formação de um grupo de Capoeira-luta
Uma das faces da Capoeira, inegavelmente é a parte da luta. Sabemos que ela não é só isto. Mas temos os exemplos dos Mestres Bimba, Sinhozinho e tantos outros que a praticaram, ora no ringue, ora em espaços devidamente adaptados para tal, onde lutas reais aconteciam. Mestre André Lacé, em seu livro “Capoeiragem do Rio Antigo”, dá o caminho das pedras para a implantação de um bom projeto neste sentido.
Ademais, não podemos esquecer da fase fascinante dos combates entre Capoeiras versus Capoeiras, e Capoeiras versus outras lutas, que tiveram seu auge nas décadas de 30/40 na Bahia, e 40/50 em São Paulo e Rio.
Projeto 02 – Grupo de Estudo da Capoeira Paulista (GECaPa)
A contribuição que o Estado de São Paulo tem dado à Capoeira, principalmente nos últimos 40 anos, é inegável. Tanto é que, hoje, muito do que a Capoeira Brasileira alcançou é resultado também do trabalho dos Capoeiras Paulistas e/ou Capoeiras que aqui chegaram. Só para citar alguns bons exemplos, temos os Mestres Damião, Guga, Ananias, Zé de Freitas, Pinatti, Suassuna, Brasília, Paulo Gomes e Acordeon. “Cada qual em seu cada quá”, fizeram a Capoeira conquistar o mundo, mesmo sem uma estratégia de exportação adequada.
Em face disto, o fenômeno da Capoeira merece ser mais bem estudada também sob a luz da contribuição paulista. O que justifica, não há dúvida, a formação de um Grupo multidisciplinar contando com folcloristas, historiadores, cientistas sociais, antropólogos, músicos, etnomusicólogos e, principalmente Capoeiristas.
Subsídios para a formação e manutenção destes grupos devem ser alcançados juntos aos Governos Estadual e Municipal.
Projeto 03 – Centro de Documentação da Capoeira Paulista
É mais que prioritário que cada Estado crie seu Centro de Documentação da Capoeira-SP (CEDOCA-SP), e que estes mantenham permutas entre si para que estudiosos e capoeiristas tenham fonte de estudo sobre a verdadeira história da Capoeiragem.
O Rio de Janeiro mantém precioso acervo em sua Biblioteca Nacional. A Bahia conta com algumas fundações que se prestam a tal função. Mas São Paulo não conta com nenhum local público com tal finalidade.
Seria o caso de estudar-se, por exemplo, se uma Biblioteca Mario de Andrade não reservaria um espaço para salvaguardar a Memória da Capoeira Paulistana, Paulista, Brasileira e Mundial. Com este meio século de história, seguramente temos aqui em São Paulo material suficiente pra produzir até uma Enciclopédia da Capoeira Paulista.
Como parte desse projeto, seria interessante que o CEDOCA-SP fosse dimensionado de forma distribuída pelo Estado, ou seja, que além de um local contendo os principais materiais do Estado, algumas regiões mantivessem também seus Centros Regionais de Documentação da Capoeira. Com exemplos, sugerimos:
CEDOCA-SP/Capital: Cidade de São Paulo
CEDOCA-SP/Vale Vale do Paraíba e Litoral Norte
CEDOCA-SP/Campinas Campinas e Região
CEDOCA-SP/Noroeste Região de São José do Rio Preto
CEDOCA-SP/Norte Região de Ribeirão Preto
CEDOCA-SP/Oeste Região do Pontal e Presidente Prudente
CEDOCA-SP/Sul Região do Litoral Sul
Projeto 04 – Capoeira em Literatura
Estimular por meio de concursos, festivais e outros meios, publicações de livros, monografias, poesias e literatura de cordel sobre a Capoeiragem, com ênfase à Capoeira Paulista.
Nada mais justo seria que, por exemplo, fosse elaborada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, uma “Cartilha de ABC – capoeira e cidadania”, onde nossos pequenos-futuros-cidadãos-capoeiras tivessem um material de aprendizado condizente com nossa historia real, sem mitos fantasiosos, e contando também a contribuição que nosso povo Afro-descendente tem dado a nossa Cultura & Educação. Essa cartilha poderia inclusive ser editada para duas faixas etárias: 3 à 6 anos e 7 à 14 anos de idade.
O resultado destas publicações seria enviado para as principais bibliotecas nacionais, estaduais e principalmente para as do município do Estado de São Paulo. Os principais centros de estudos de manifestações Africanas, e Afro-Brasileiras do Brasil e do Mundo seriam também contemplados com tais exemplares.
Projeto 05 – Capoeira Itinerante
O Estado de São Paulo detém um número significativo de mestres de Capoeira. Alguns vieram para cá a partir dos Estados da Bahia e do Rio. Outros aprenderam a Capoeira aqui mesmo. Hoje, com nosso meio século de história conhecida, temos um sem-número de Mestres que detém muito conhecimento adquirido ao longo destas décadas.
Muitos deles estão literalmente à margem da historiografia oficial. A grande maioria não teve a chance de ensinarem o que sabe para esta nova geração cada vez mais faminta de informação e conhecimento.
Seria um bom momento para, por exemplo, pôr em marcha um projeto no qual estes mestres tenham condições de passarem o que aprenderam, ou o que eles pensam da Capoeira, principalmente em se tratando da Capoeira no Estado de São Paulo.
Neste caso, seria feita uma seleção de uns 40 mestres das diversas regiões do Estado. De forma itinerante, eles passariam a ministrar cursos, palestras, oficinas e vivências. Assim, o pessoal do interior conheceria as Capoeiras Paulistana, do Vale do Paraíba, de Ribeirão Preto... e vice-versa.
Tudo deverá ser feito por meio de esforços conjuntos entre os Governos Estadual e Municipal, devidamente assessorados por suas secretarias de cultura, esporte, educação e lazer.
Projeto 06 – Coletânea da Capoeira em São Paulo
Recentemente, Miltinho Astronauta deu início ao que ele registrou como “Coletânea da Capoeira em São Paulo”. Na verdade, trata-se de um projeto proposto por André Lace, e que deve ser seguido por todos os Estados.
Apesar de já estar em andamento, este projeto merece ser fortalecido, contando-se com contribuições de outros colaboradores, afim de que a maior parte dos mestres de Capoeira das diversas regiões de São Paulo sejam incluídos.
Cada mestre é devidamente incluído com uma ou duas páginas, uma foto ilustrativa (PB). Ao final deste projeto, teríamos uma radiografia de quais são os principais mestres de nosso Estado. A série “Coletânea” poderia ser por região ou por época (40-60; 50-70; 70-80; a partir dos 80).
Seria também interessante que o Coletânea de São Paulo contasse com alguns números especiais, contando Vida & Obra dos mestres que mais se destacaram em nosso Estado. Miltinho Astronauta tem, por exemplo, um anteprojeto de cinco livros neste sentido:
1) Mestres Damião, Guga, Ananias e Zé de Freitas;
2) Mestres Suassuna, Brasília, Pinatti & Joel;
3) Mestres Paulo Gomes & Natal;
4) Mestres Cosmo, Xerife e Saruê (interior Paulista)
5) Capoeiras do Vale do Paraíba & Litoral Norte
Em se tratando de São Paulo – Capital, seria também interessante a elaboração de livros por região de atuação de nossos Mestres:
6) Capoeiras da Zona Sul;
7) Capoeiras da Zona Leste;
8) Capoeiras da Zona Oeste;
9) Capoeiras da Zona Norte;
10) Capoeiras da Região Central;
11) Capoeiras do Grande ABCD: Santo André, São Bernardo, São Caetano & Diadema
Projeto 07 – Capoeira, Homenagem e Reconhecimento
Nada mais justo seria que os Mestres mais importantes da história da Capoeira em solo paulista fossem homenageados. Cada um por sua forma de contribuição. A título de exemplo, listamos alguns destes mestres.
Damião, Guga, Suassuna, Brasília, Paulo Limão, Paulo Gomes, Ananias, Silvestre, Joel, Miguel, Kenura, Airton “Onça”, Belisco, Tarzan, Lobão, Valdenor, Valdemar Alfaiate, Zé de Freitas, Sombra, Gaguinho, Tomaz do Berimbau, Élio do Berimbau, Cosmo, Prego, Grande, Limãozinho, Robinho Angoleiro, Alemãozinho, Pinatti e muitos outros.
Homenagens especiais mereceriam os Mestres Júlio Prestes & Sinhozinho. O primeiro por ter proposto um dos primeiros projetos de governo incluindo a Capoeira no currículo escolar (1927-1930). O segundo por ter saído de São Paulo para afamar-se como um formador de campeões – inclusive de Capoeira – no Estado do Rio de Janeiro.
Projeto 08 – Meio Século de Memória da Capoeira Paulista
Ao longo destes pouco mais de cinco décadas, uma quantidade expressiva de material tem sido arquivada, de forma pessoal e independente, por um sem-número de Mestres de Capoeiras & interessados no assunto.
Nossa proposta seria que o Governo do Estado de São Paulo financiasse um projeto que permitisse a incorporação e/ou digitalização destes acervos, garantindo que parte da memória de nossa Capoeira Paulista não se perca com o tempo.
Como ponto de partida, alguns acervos preciosos poderiam ser microfilmados ou digitalizados, recompensando ou reconhecendo, de alguma forma, seus guardiões. Dentre estes acervosj, destacamos:
1.Acervo do Centro de Capoeira Ilha de Maré – Mestre Paulo Gomes (Capital)
2.Acervo Claudival da Costa – Mestre Cosmo (Piracicaba)
3.Acervo Edsel Clemente – Mestre Xerife (Piracicaba)
4.Acervo Silvio Acarajé & Paulo Limão (Santo Amaro/Sampa)
5.Acervo Silvestre (Santo Amaro/Sampa)
6.Acervo Mestre Swing (Ribeirão)
Estes acervos, com o falecimento de seus responsáveis, devem estar em poder da Família ou então de amigos e capoeiras mais próximos. A devida catalogação e algum nível de disponibilidade pública deve ser estudado cuidadosamente. Estes materiais, ou cópias deles, poderiam ser acomodados nos CEDOCAS apresentados no Projeto 03 acima.
Projeto 09 – Capoeira & Atualização Literária
As principais bibliotecas do Estado de São Paulo merecem estar atualizada com relação às obras de referência pra nossa Capoeiragem. Muitas destas obras podem ser encontradas na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, ou então nas fundações dedicadas à memória da Capoeira, hoje concentradas principalmente na Bahia.
Algumas das obras que devem constar da lista das bibliotecas de nosso Estado, seguramente, são:
1.“Os Capoeiras” – Plácido de Abreu (1886, Rio de Janeiro)
2.“Guia do Capoeira ou Gymnastica Brasileira” – ODC (1907, Rio de Janeiro)
3.“Gymnastica Nacional (Capoeiragem) – Methodisada e Regrada”, Annibal Burlamaqui, Mestre Zuma (Rio de Janeiro, 1928)
4."Subsídio para o Estudo da Metodologia do Treinamento da Capoeiragem” – Inezil Pena Marinho (Rio de Janeiro, 1945)
5.“Conversando sobre Capoeira” – Esdras (Damião) Magalhães dos Santos
Mas esta atualização não deveria ficar restrita somente a materiais literários. As principais bibliotecas de nosso Estado – ou de todos os Estados – deveriam estar dotados de uma cópia dos documentos (livros, fitas de vídeos, gravações etc.) gerados com recursos públicos do Governo Federal, por meio do Programa Nacional da Capoeira (PNC) e do Centro de Documentação e Informação sobre a Capoeira (Cidoca). Estes programas foram levados a cabo principalmente na década de 90.
Projeto 10 – Capoeira: um fenômeno antropológico
Muito mais importante do que discutir a origem da capoeira (questão que acaba gerando discussões infundadas, manifestações de preconceitos regionalistas), a capoeira deve ser estudada e entendida como um fenômeno antropológico, que foi gestado e evoluiu por uma necessidade humana conjugada com o tempo e o espaço.
Assim, entender a existência da capoeira num local é compreender a vasta complexidade das etnias que contribuíram para a sua formação, a expressão ritualística do gestual – tão próprio das tribos bantus – que caracteriza uma busca por uma identidade; a busca pela perfeição dos movimentos como forma de destaque e status social (o capoeira acaba ganhando a sua fama através das suas habilidades demonstradas e provadas na roda de capoeira); a exclusão social que forçou as classes sociais mais baixas a buscarem divertimentos – como a capoeira – por não ter acesso a outras formas de lazer...
O primeiro passo é pesquisar toda e qualquer documentação relacionada à Capoeira e suas vertentes: pernada, samba-duro, samba-de-plantado, tiririca, batuque... Depois, mapear as ocorrências dessas manifestações (por ex.: Em Santos, na década de 1930, jogavam a tiririca; em Sorocaba, na década de 1950, jogava-se a pernada; em São Paulo, na década de 1940, já se tem notícia da capoeira no estilo baiano...). A partir desse mapeamento, interpretar essas informações sob o foco da capoeira como fenômeno antropológico.
Considerações finais:
Certamente, a lista de projetos se alonga, como se alonga também a expectativa do povo brasileiro e dos Capoeiras, esperando que principalmente as esferas dos Governos Federal e Estadual dêem a devida atenção para nossa arte.
Espera-se que a coordenação do II Congresso Nacional de Capoeira, devidamente apoiado pelos Ministérios da Cultura, dos Esportes, e da Educação, encaminhe nossas propostas aos órgãos competentes.
E que a Capoeira de todos os Estados, e a Capoeira do Brasil, hoje em vias de se transformar em “Patrimônio Cultural Mundial”, seja sempre respeitada e exaltada.
Axé & Paz & União – Delegação do Estado de São Paulo